sábado, 4 de outubro de 2014

Ato Falho ou Sinceridade - Alerta Total




Alerta Total


Ato falho ou sinceridade cínica, Dilma alega no debate da Globo que “todo mundo pode cometer corrupção”

Posted: 03 Oct 2014 03:40 AM PDT


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Depois que Dilma Rousseff, traída pelo subconsciente ou afetada por sua incapacidade de articular uma frase correta sem falhas, proclamou ontem, no debate da Rede Globo, que “todo mundo pode cometer corrupção”, o eleitor minimamente consciente já sabe do risco que o Brasil corre se ela continuar sentada no trono do Palácio do Planalto por mais quatro anos. A mentira, a corrupção sistêmica e a incompetência gerencial são a tônica do desgoverno petralha – que tem alto risco de continuar e prosperar. Já que é assim, “Corruptos, uni-vos”...

O debate televisivo de ontem, o último na reta final até o voto obrigatório de domingo, pouco deve acrescentar à disputa. Pelas pesquisas amestradas, Dilma segue na frente. Ibope e Datafolha só divergem no percentual de Aécio Neves. O mineiro teria 19% para o primeiro instituto e 21% para o segundo. Dilma teria 40% e Marina ficaria com 24% - conforme ambos as enquetes. Os tucanos apostam que passam Marina. Os petistas já sonham com a vitória no primeiro turno – pois têm certeza de que o 2º turno será um pesadelo de alto risco.

Nos dois últimos debates, na Band e na Globo, Aécio Neves mostrou mais agressividade contra Dilma. Por isso, com Marina em queda nas pesquisas, os tucanos têm a expectativa de que o neto de Tancredo Neves receba um descarrego dos votos de insatisfação contra o PT. Agora, a reza precisa ser fortíssima não só para passar Marina, mas também para impedir que a máquina de Dilma (botando dinheiro pelo ladrão, sem trocadilho infame) vença logo no domingo. O jogo no Cassino (re)Eleitoral do Poderoso Chefão continua aberto – com favoritismo de Dilma...

Vencer ela até pode conseguir... Governar depois, com tranquilidade, é que será missão quase impossível... O quadro ficará ainda mais agravado se o segundo turno de campanha for marcado pela esperada baixaria.

Corrupção generalizada

Pressionada pelos escândalos na Petrobras, Dilma soltou a pérola do debate, no qual voltou a repetir a mentira de que teria demitido Paulo Roberto Costa:

“Não acho que sejam alianças que definam corruptos, corruptos há em todo lugar. A abertura a todas as atividades de investigação é característica do meu governo. Não acredito que ninguém esteja acima de corrupção. Acho que todo mundo pode cometer corrupção”.

Pelo acerto da “tese” da Dilma, dá para entender como funciona o desgoverno nazicomunopetralha...

Nem ela sabe...

Ápice do debate de ontem foi a perguntinha de Marina Silva para sua ex-companheira Dilma Rousseff:

“Qual Dilma que está falando agora? A que está usando o discurso da eleição ou a que tem uma convicção?

Nem a nervosa Presidenta-Candidata soube responder...

Picaretagem eleitoral

A Auditoria do TSE no cadastro de eleitores que fizeram a identificação biométrica descobriu um picareta que conseguiu registrar sua impressão digital em vários cartórios diferentes, o que o deixaria apto a votar mais de 20 vezes.

Desde setembro, um sistema comprado pela justiça eleitoral faz o cruzamento das digitais e detecta duplicidades no novo cadastro de 23.851.673 de eleitores aptos a votar com biometria.

Como o eleitorado brasileiro total habilitado a votar este ano é de 142.822.046 eleitores, imagina quantos “duplicados” podem existir entre os 118.970.373 que poderão dar sua dedada na urna eletrônica com o velho e viciado cadastro eleitoral.

Odebrecht na berlinda

Marcelo Odebrecht será intimado a depor na Justiça Federal, no âmbito da Operação Lava Jato.

O delator premiado Paulo Roberto Costa revelou que recebeu da Odebrecht propina de R$ 57 milhões (US$ 23 milhões), grana que foi depositada na Suíça.

Auditoria do TCU concluiu que Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS superfaturaram em R$ 367,9 milhões seus contratos em Abreu e Lima.

Só o contrato da Odebrecht na Petrobras para a obra da refinaria de Abreu e Lima (PE) chegou a R$ 1,5 bilhão.
  
Correio da Dilma?


Esculhambação total: panfletagem via Correio – uma estatal vítima de escândalos da dupla PT-PMDB – vai dar em nada?

Numa reunião com dirigentes dos Correios em Minas Gerais, com a presença do presidente da empresa pública, Wagner Pinheiro, o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG) afirmou que a presidente Dilma Rousseff só chegou a "40%" das intenções de votos em Minas Gerais porque "tem dedo forte dos petistas dos Correios".

Todo discurso é acompanhado pelo presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, que não se manifesta.

Sem novidade alguma


A arte de mentir


Lava Jato Fashion


Gasolina subindo


Baianagem dos petralhas


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Segunda Edição do Blog Alerta Total de 3 de Outubro de 2014.

Opera do Poder - Again

Posted: 03 Oct 2014 03:34 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira


A pátria mãe gentil foi tomada pelos inimigos, traidores e sem escrúpulos, que já acenderam a fogueira em que a lançarão.

Esperamos que os verdadeiros patriotas se lembrem das palavras do herói da ópera  “Il Trovatore” quando vê a mãe em análoga situação:

“Daquela pira o horrendo fogo... não pode deter-me o teu martírio... mãe infeliz, corro a salvar-te ou ao menos morrer contigo !”

Vivemos os últimos dias de Pompeia; o vulcão está prestes a explodir.

A fogueira alimentada pelas vaidades do judiciário, pelo enxofre do legislativo e pelos excrementos do executivo tem que ser extinta a qualquer preço.

Di quella pira l'orrendo foco
Tutte le fibre m'arse avvampò!...
Empi spegnetela, o ch'io tra poco
Col sangue vostro la spegnerò...
Era già figlio prima d'amarti
Non può frenarmi il tuo martir.
Madre infelice, corro a salvarti,
O teco almeno corro a morir!


Carlos Maurício Mantiqueira é Livre Pensador.

Banco Central Independente? – “To be or not to be: that´s the question”

Posted: 03 Oct 2014 03:31 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Arthur Jorge Costa Pinto

A discussão que aborda a independência do Banco Central é um dos pontos palpitantes que ganhou destaque na campanha presidencial deste ano. O assunto demonstra ainda estar muito distante de um consenso e também divide os acadêmicos e os especialistas.

Como vemos, não é um tema clássico, tão conhecido dos brasileiros quanto  educação, saúde, segurança e infraestrutura com o qual eles possam interagir, levando suas contribuições aos programas dos candidatos.

Os principais postulantes da oposição, como elemento de diferenciação, levantam a bandeira de dar maior autonomia à autarquia e outros até admitem uma independência formal ao órgão. Dilma defende a atual estrutura, que denomina como “autonomia operacional do BC”. O seu presidente é indicado pelo Presidente da República e, somente ele, pode demiti-lo. O órgão não tem poder de decisão sobre metas, como a meta de inflação, mas tem livre arbítrio para adotar suas políticas e o prazo para atingir as metas.

Quanto ao aspecto da independência do BC, ela é assegurada por Lei; o colegiado formado por presidente e diretores define as metas e eles não podem ser demitidos, a não ser em situações excepcionais.

Recentemente, a presidente Dilma demonstrou mais uma das suas notáveis contradições, quando se meteu em “saia justa” diante de uma inesquecível recordação, quando, em entrevista ao “Bom Dia, Brasil”, durante sua campanha em 2010, defendeu com singularidade a autonomia do Banco Central. Hoje, repudia-a frontalmente, até por que a política econômica adotada pelo seu desgoverno é excessivamente intervencionista.
A teoria por trás da tese de independência do BC vem do final dos anos 70, especialmente a partir de dois artigos acadêmicos.
No primeiro, assinaram o documento Edward Prescott e Finn Kynland; os dois compartilharam em 2004 o Prêmio Nobel de Economia, quando trouxeram para a macroeconomia tradicional um argumento importante: os agentes econômicos são dotados de expectativas racionais, logo, não incorrem em equívocos sistemáticos de previsão, e adotam um comportamento proativo às determinações políticas de curto prazo do governo.
Se este decide provocar a demanda através da política monetária expansionista, a consequência será somente o crescimento da inflação e os agentes econômicos sabem quais as decisões inflacionistas do governo; em função disso, o BC deve procurar unicamente a estabilidade dos preços.

O segundo, de autoria do economista Roberto Barro, professor de Harvard, aborda a questão da credibilidade na política econômica: o governo tem que conservar o equilíbrio na política fiscal e uma política monetária que reduza a inflação. Entretanto, a política fiscal deve fomentar superávits primários capazes de custear as despesas com juros da política monetária, logo, aquela política está inserida nesta.

Independente de decisões políticas, credibilidade só tem a ver com política econômica, pois sem as ingerências desestabilizadoras que perturbam completamente o equilíbrio de curto prazo, os agentes econômicos tomam deliberações sem alardes e a economia pende para uma estabilidade, com uma taxa de desemprego harmônica em relação à estabilidade inflacionária.
Portanto, a proposição de independência do BC aparece também como uma solução para ingerências políticas de governantes partidários do inflacionismo, que ambicionam estrategicamente sustentar o seu partido no poder. Dessa forma, um BC independente com seu presidente preferencialmente com mandato de aparência estável, propicia que a autoridade monetária trate apenas da estabilidade dos preços.

Assim, o governante não se sentiria atraído a realizar políticas de estímulo à demanda no curto prazo e, consequentemente, produzir inflação. Se a política monetária expansionista só for capaz de gerar inflação, os agentes econômicos se antecipam ao viés inflacionário e, nada mais apropriado do que tornar o BC desvinculado do governante.

A partir de 1989, tornaram-se independentes ou autônomos diversos bancos centrais no mundo. Criaram mecanismos para impedir interferências políticas nas deliberações da autoridade monetária. Depois de deflagrada a crise econômica global em 2008/2009 e com o passar do tempo, restaram algumas marcas de que as decisões de política monetária são generosamente influenciadas pelo poder político.

Os países que adotaram a autonomia sempre demonstraram uma situação bem melhor do que aqueles que não assumiram. Nessas economias, a inflação é menor e mais estável, a volatilidade do produto é inferior e a predisposição em reagir diante de uma crise é maior como ficou provado recentemente.

É necessário lembrar que compete aos Bancos Centrais (BCs), como atividade primária, serem os protetores da moeda e do crédito e, como tal, manter o completo domínio sobre as pressões inflacionárias. O mais essencial é que haja variações no modelo de gestão

Ao redor do mundo, temos referências de BCs independentes, reconhecidos como bem estruturados, a exemplo do RBNZ da Nova Zelândia, a primeira experiência de independência; o FED americano é soberano desde 1951; o BCE europeu, considerado o mais independente do mundo, com a missão de coordenar a moeda única (euro) dos seus dezoito países membros; o BOE – inglês, primeiro banco central do mundo fundado em 1694; o BOJ – japonês; o BCCh do Chile, um modelo de independência na América Latina.



Exemplificando como funciona um BC independente, a melhor referência sem dúvida, para muitos, é o FED americano, o maior de todos e o mais influente no mundo.

O presidente do FED é indicado pelo presidente dos EUA e deve ter seu nome aprovado pelo Senado daquele país. O mandato do presidente é fixado em quatro anos, podendo ser renovado. Tal política confere ao banco plena autonomia operacional e administrativa. Não existe um vínculo com o período governamental de cada presidente, ou melhor, um presidente pode, eventualmente, governar parte da sua administração tendo o presidente da instituição na oposição.

Dá para notar, portanto, que não existe ambiente de subordinação ao poder Executivo. É prerrogativa exclusiva do FED decidir, todos os anos, as metas de inflação e a taxa de desemprego como julgar necessário.

Em um novo mandato, o presidente da República indica o presidente e o vice-presidente para um período de quatro anos e eles só poderão ser demitidos por má conduta, crimes e outras ofensas graves, em votação no Senado, requerendo uma maioria qualificada.

O FED é estruturado envolvendo doze BCs regionais, subordinados a uma política definida pela diretoria central (board of governors) em Washington D.C. e os votos no FOMC (Comitê de Política Monetária) obedecem a rodízio dos seus membros com direito a voto nas reuniões.

A prestação de contas do órgão é intensa. Envolve encontros periódicos com sabatinas no Congresso e adota uma forte conexão com a sociedade americana, através de comunicados após os eventos, entrevistas coletivas do presidente para todos os canais de comunicação do país, elaboração de atas minuciosas sobre todos os encontros, conhecidas mundialmente como “Livro Bege”, ficando liberadas suas transcrições após cinco anos.

Mesmo amparado pela autonomia em situações delicadas, ultimamente, tem predominado o consenso das políticas do FED com o Tesouro americano. Foi de fundamental importância a sinergia entre esses poderes, por terem tido uma atitude convergente para ajustar a política econômica e monetária na crise de 2008, quando o presidente do Banco e o Secretário do Tesouro trabalharam alinhados, demonstrando uma exemplar sintonia.

Na nossa realidade, diante do padrão acima, tenho plena certeza de que é quase impossível adotá-lo neste momento no Brasil, obtendo a cumplicidade da grande maioria dos políticos brasileiros. Deixar uma instituição ter total independência sobre a política econômica e monetária brasileira faz com que, no mínimo, parte do poder de quem governa seja dividido e isso não seria simpático à maioria da classe política, ainda mais, sendo regulada por Lei. O perigo político seria considerável.

Como vemos, o presidente do BC pode influenciar os rumos de uma eleição, a depender de como a política monetária seja conduzida por ele. Precisamos, o quanto antes, de políticos capazes para tratar a economia acima de tudo, com respeito e responsabilidade.

A reflexão sobre um Banco Central independente para a nossa economia carece da avaliação adequada de uma governança direcionada a guiar a política monetária ao contexto econômico e não exclusivamente, direcionada a grupo de agentes movidos pelo “interesse”.

Também imaginar um BC inteiramente independente para o País, apresentando os inconsequentes efeitos colaterais que são taxa de juros maiores, taxa de desemprego elevadas e política monetária orientada para o setor financeiro, terão um impacto significativo sobre o lado real da economia.
Nisso tudo, existem as principais vantagens e desvantagens quanto a um BC ser independente. Começando pelas vantagens: estar blindado para não ter interferência política nas decisões de política monetária, proteção à emissão de moeda das políticas fiscais, acentuada credibilidade externa e maior confiança da comunidade financeira.

As desvantagens são quase antagônicas: concentração de poder em uma única instituição (pessoa); influência na política do país como veículo direcionador da economia; conflitos políticos entre os técnicos do BC e o Poder Executivo (Argentina, um bom exemplo) e a inexistência de um consenso entre os economistas sobre a relação direta entre uma maior independência do BC e índice de inflação menor.

O debate sobre o Banco Central independente no Brasil não deveria ser um tema central, em função da grande necessidade que temos atualmente de realizar estratégicas alterações na nossa política econômica. A polêmica ganhou notória força, exclusivamente em razão do atual governo intervir excessivamente em contabilidade criativa, marco regulatório com pressões ditatoriais.

Em minha opinião, para que o Banco Central do Brasil se torne independente, é preciso que antes o País sofra um choque de “moralidade”. Considero que este modelo é obrigatório para um país sério, avançado, democrático e transparente, favorecendo-o a ser respeitado não só no seu ambiente interno, mas especialmente, pela comunidade financeira internacional.


Arthur Jorge Costa Pinto é Administrador, com MBA em Finanças pela UNIFACS (Universidade Salvador).

O Chefe – 1ª Parte

Posted: 03 Oct 2014 03:29 AM PDT


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O Chefe é um livro escrito pelo jornalista Ivo Patarra. Conta a história dos 403 dias do escândalo do mensalão, o maior esquema de corrupção de todos os tempos no Brasil. Os acontecimentos que abalaram o país e paralisaram o governo do PT, sob o comando de Lula e dos homens do presidente. Ivo Patarra não encontrou nenhuma editora que aceitasse editar o livro e, por isso, o disponibilizou na Internet (http://www.escandalodomensalao.com.br/).

O atual momento histórico, com a proximidade das eleições, quando aparentemente Lula ganhará mais 4 anos apesar de toda a lama desse seu primeiro mandato, torna imperioso que façamos um resumo das principais passagens desse livro. É o que faremos.

Em 21 de junho de 2005, em Luziânia (GO), durante uma solenidade, Lula classificou de “bobagens” e de “denúncias vazias” as acusações de corrupção em seu governo, dizendo: “Ninguém, neste país, mais do que eu, tem autoridade moral e ética para fazer as mudanças nas instituições e no comportamento social”.

Em 16 de julho de 2005, a revista Veja não deixou por menos. A reportagem de capa, “Mensalão – quando e como Lula foi alertado”, descreve cinco situações nas quais as informações sobre o esquema de pagamento de propina chegaram aos ouvidos do presidente. A primeira vez, em 25 de fevereiro de 2004, por meio do deputado Miro Teixeira. O episódio ocorreu duas semanas após a queda de Wadomiro Diniz. 

Escreveu o repórter Otávio Cabral: “Waldomiro Diniz, na condição de braço-direito de José Dirceu, era quem cuidava da relação do governo com o Congresso e, com sua demissão, os credores do mensalão entraram em polvorosa. Miro Teixeira, que havia apenas três semanas assumira a liderança do governo na Câmara, começou a ser procurado pela tropa interessada em saber como seria paga a mesada dali em diante. O deputado ficou estupefato. Não sabia o que era mensalão. Entre os dias 17 e 19 de fevereiro, Miro Teixeira recebeu várias sondagens. Numa delas, na manhã do dia 17, a pressão veio em comitiva. Eram três deputados juntos, querendo saber do futuro financeiro: Valdemar Costa Neto, presidente do PL, Sandro Mabel, líder do PL, e Pedro Henry do PP”.

Miro Teixeira conversou reservadamente com o presidente. Disse que deixaria o cargo por causa do mensalão. Veja relata: “Lula demonstrou surpresa, disse que nunca ouvira falar naquilo e prometeu conversar com o então ministro José Dirceu para apurar a denúncia – mas não voltou a tocar no assunto. No dia 31 de março, Miro voltou ao Palácio do Planalto e, diante do fato de que nada fora feito a respeito do mensalão, pediu para deixar a liderança. Saiu no dia 6 de abril, sendo substituído pelo Professor Luizinho”.

O segundo aviso ao presidente, em 5 de maio de 2004. Quem deu foi o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). O Planalto, em comunicado, deu a seguinte explicação à revista: “Lula não se recorda de ter ouvido nenhum comentário de Perillo sobre o assunto”.

O terceiro episódio. O próprio Lula aborda o assunto, durante viagem oficial à China.Aconteceu em 25 de maio de 2004. Durante um jantar, Lula perguntou ao deputado Paulo Rocha (PT-PA) se ele já ouvira falar sobre o pagamento de mesadas a deputados. Rocha nega ter havido a pergunta, mas dez deputados estavam na mesa do jantar. Três deles confirmaram a veracidade da conversa.

Nos outros dois casos, o aviso foi dado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). No primeiro deles, em 5 de janeiro de 2005, o ministro Walfrido Mares Guia (PTB-MG) testemunhou a conversa. No segundo, em 23 de março de 2005, parte da alta cúpula do governo estava presente, no gabinete de Lula no Palácio do Planalto: José Dirceu (PT-SP), ministro da Casa Civil; Aldo Rebelo (PC do B-SP), ministro das Relações Institucionais; Walfrido Mares Guia, do Turismo; Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente; Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara; e o deputado José Múcio (PTB-PE). A revista conclui:

“Se soube do assunto e não tomou providências, Lula pode ser acusado de crime de responsabilidade, previsto nos artigos 84 e 85 da Constituição e, também, na Lei nº 1079, editada em 1950, conhecida como Lei do Impeachment. Pela lei, o presidente, se soube do mensalão, tinha de ter mandado apurar. Se o presidente teve ciência disso, caracteriza-se uma omissão, que é um caso típico de crime de responsabilidade, afirma o jurista Miguel Reale Júnior, que redigiu a petição que resultou no impeachment de Fernando Collor, em 1992”.

Em 17 de julho de 2005, o jornal O Estado de S. Paulo comentou as declarações do presidente no editorial “Lula endossa a farsa”. Para o jornal, o presidente está associado a uma “armação”. Concedeu uma entrevista na qual “tinha absoluto controle” das perguntas, para se dirigir aos brasileiros. Conclusão do editorial: “A hipótese mais plausível é a de que ele aceitou ser ‘poupado dos detalhes’. Se um governante precisa se esforçar para saber o que os seus colaboradores não querem que saiba, que dirá então quando dá a impressão de que não quer saber? No caso de Lula, a única dúvida é se agiu assim para se proteger ou por autêntico desinteresse em conhecer como funcionam as coisas no seu governo”.

Em 22 de julho de 2005, em viagem ao Rio, Lula ridicularizou as investigações sobre o escândalo do mensalão: – “O que o povo quer mesmo é resultado. É saber se, no frigir dos ovos, a sua vida vai estar melhor do que quando nós entramos no governo”. Em outras palavras, Lula defende o “rouba, mas faz”.

Após almoçar com trabalhadores na refinaria da Petrobrás em Duque de Caxias (RJ), o presidente, exaltado, diz que ninguém lhe dá lição de ética: – “Eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. E não vai ser a elite brasileira que vai me fazer abaixar a cabeça”(o falecido delegado Romeu Tuma que o diga...).
Em 27 de julho de 2005, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), enviou ofício ao Conselho de Ética da Câmara. Confirmou que alertou Lula sobre o esquema de pagamentos a parlamentares, em 5 de maio de 2004. 

Diz o documento: “Relatei ao senhor presidente que ouvira rumores sobre a existência de mesada a parlamentares em conversas informais em Brasília, porém sem provas concretas. Repeti o inteiro teor das informações que havia recebido. O senhor presidente disse que não tinha conhecimento e que ia tomar as providências que o assunto requeria. Não sei quais foram as providências tomadas”. Perillo aponta duas testemunhas da conversa, que estavam dentro do carro. O motorista e o chefe da segurança do presidente. Nunca foram chamados pela CPI dos Correios, jamais depuseram.

Em 01 de agosto de 2005, Cláudio, filho do presidente, usou avião oficial da FAB com 14 amigos. Foi durante as férias de 2004. O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) fez sete tentativas até conseguir confirmar a mordomia, junto ao Gabinete Institucional da presidência da República. Antes, mandou sucessivos requerimentos à Secretaria-Geral da Presidência, Ministério da Casa Civil e Ministério da Defesa.

Em 12 de agosto de 2005, Lula aproveitou uma reunião ministerial para ler discurso ensaiado e preparado por sua assessoria. Faz um auto-elogio a realizações do seu governo e exime-se de responsabilidades sobre o escândalo do mensalão. Visivelmente abalado, quase não olha para as câmeras que transmitem o discurso. No final, de improviso, diz: – “Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas”.

As afirmações são vagas. Lula não diz com precisão a que se refere. Não aponta nenhum culpado. O discurso, cheio de frases soltas. Fica nítida a intenção de proteger os responsáveis pela crise: - “Quero dizer a vocês, com toda a franqueza, eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia, e que chocam o país”.

Lula afirma estar “consciente da gravidade da crise política”, mas não explica por que Delúbio Soares era freqüentador assíduo do Palácio do Planalto. Tampouco refuta, com a ênfase esperada, que fora alertado por Roberto Jefferson (PTB-RJ) para a existência de um esquema de distribuição de mensalões à base aliada. Diz Lula: – “Se estivesse ao meu alcance, já teria identificado e punido exemplarmente os responsáveis por esta situação”.

A verdade, porém, é a de que o presidente que se movimentou, de todas as formas, desde o início, para impedir a instalação das CPIs. Tratou de manter, o quanto pôde, José Dirceu no Ministério da Casa Civil. Justo Dirceu, tido como o grande operador do mensalão.

Em 09 de agosto de 2005, surgiu Paulo Okamotto, o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Foi nomeado para o cargo por Lula. Apresenta-se como o autor do pagamento da dívida de Lula de R$ 29.436,26 junto ao PT. Okamotto foi tesoureiro da campanha de Lula em 1989, na primeira vez em que ele disputou a presidência da República. A CPI dos Correios investiga se o pagamento da dívida foi feito com dinheiro de caixa 2. No Sebrae, Okamotto administra um orçamento anual de R$ 900 milhões. Ele diz que pagou a dívida em quatro parcelas, mas não contou nada ao presidente: “Tirei recursos da minha conta pessoal”.

Okamotto não tem provas de que pagou. Não tem recibos, nada. A história não tem lógica. Ele diz que sacou dinheiro vivo em caixas eletrônicos em Brasília e enviou os valores em espécie para São Paulo. Na capital paulista, aconteceram os depósitos em conta bancária do PT, a partir de quatro agências diferentes do Banco do Brasil. Uma confusão.

Em 20 de agosto de 2005, a revista Isto É Dinheiro conta a história de uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), sobre o uso de cartões de crédito para retiradas de dinheiro por parte de funcionários da presidência da República. Em oito meses de 2004, sacaram R$ 5,5 milhões. Justificaram: foi para pagar despesas do gabinete de Lula, da Granja do Torto, a residência oficial, e de ministros de Estado.

De acordo com a revista, em nome de Clever Pereira Fialho, lotado no gabinete de Lula, houve uma fatura de mais de R$ 1 milhão, sendo R$ 226,9 mil em retiradas de dinheiro vivo. O ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Mauro Marcelo Lima e Silva, sacou R$ 1,3 milhão. E Maria Emília Évora, responsável por despesas da primeira-dama Marisa Letícia, gastou R$ 441 mil, de janeiro a agosto de 2004. Do total, Maria Emília retirou R$ 198 mil em dinheiro vivo, média de R$ 24,8 mil por mês. Quase um mensalão.

Em 11 de setembro de 2005, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que o PT usou dinheiro do fundo partidário, originário de recursos públicos, para pagar irregularmente passagens aéreas para filhos, noras, genro e neta do presidente Lula, e para a mulher e a filha do ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP). 

Quase todas as viagens, no final de 2002, foram no eixo São Paulo-Brasília. Beneficiados: Marcos Cláudio, filho de Lula, e a nora do presidente, Carla Adriane. Luiz Cláudio, filho de Lula, e a namorada, Talita. Sandro, filho de Lula, e a namorada, Marlene Araújo. E Lurian Cordeiro, filha de Lula, que viajou desde Florianópolis, acompanhada do marido, Marcelo Sato, e da filha, Maria Beatriz, neta de Lula. Já Palocci usou a mordomia para as passagens áreas da mulher, Margareth, e da filha, Carolina, e ainda se serviu da grana para pagar o hotel no qual Carolina se hospedou.

Reação do corregedor-geral da Justiça, ministro Humberto Gomes de Barros: – “A coisa é tão insólita... É uma apropriação indébita, desvio de dinheiro público. É uma coisa muito séria”(comentário do autor deste texto: e daí?).
Com o caso nos jornais, Palocci mandou a assessoria emitir nota para negar conhecimento “pleno” dos pagamentos. Só parcial, portanto. E diz que “considera” restituir “eventuaispagamentos, que possam ter qualquer dúvida de correção”.

O PT também usou o fundo partidário para pagar R$ 22,8 mil de passagens aéreas para a China, em benefício de Rioco Kayano, mulher do então presidente do partido, José Genoino (PT-SP). Passagens a Paris de primeira classe foram pagas a Luis Favre, marido de Marta Suplicy (PT-SP), no valor de R$ 17.700,00. Quem também embarcou para a capital francesa foi o prefeito de Guarulhos (SP), Elói Pietá (PT), que ainda foi a Barcelona (resumindo: uma festa).

Marta Suplicy, por sua vez, gastou R$ 27 mil com o aluguel de um jatinho para deslocamentos entre São Paulo, Florianópolis e Brasília. Quem viajou com dinheiro do fundo partidário, ainda, foi José Adalberto Vieira da Silva, o assessor do deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) e um dos ícones do escândalo do mensalão, preso com R$ 200 mil numa maleta e US$ 100 mil na cueca.
Em 14 de setembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou Roberto Jefferson (PTB-RJ). A interrupção do mandato do deputado autor da denúncia do mensalão foi endossada por 313 parlamentares. Outros 156 votaram contra. Houve ainda 13 abstenções, cinco votos em branco e dois nulos. O petebista fica inelegível até 2015. 

Em discurso de 42 minutos, Jefferson acusou Lula de relapso. “Se ele não praticou o crime por ação, pelo menos por omissão”. Jefferson não aceita a acusação de que não tomou providências, assim que soube do esquema de pagamento da propina a deputados: – “Fiz uma peregrinação. Ao José Dirceu, como ministro-chefe da Casa Civil, falei isso umas dez vezes. Falei ao Ciro. Depois nós descobrimos que o Márcio, secretário-executivo do Ministério, tinha recebido do Marcos Valério R$ 500 mil para saldar contas de campanha. Mas falei ao Ciro, com lealdade. Ele disse: ‘Eu não acredito nisso’. Falei ao ministro Miro Teixeira. Falei com o presidente”.

Com a língua afiada, sua melhor característica, Jefferson atacou: – “Tirei a roupa do rei, mostrei ao Brasil quem são esses fariseus, mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. – Rufiões da pátria, proxenetas do Parlamento. Este é o governo mais corrupto que testemunhei nos meus 23 anos de mandato, o mais escandaloso processo de aluguel de parlamentar. – Meu conceito do presidente é que ele é malandro, preguiçoso. O negócio dele é passear de avião.Governar que é bom, ele não gosta. – O PT não tem projeto de governo. Eu quero dizer o PT, esse Campo Majoritário e essa cúpula que assaltou o Brasil. Rato magro, hem? Quem nunca comeu mel quando come se lambuza. Rato magro. PC Farias é aprendiz de feiticeiro ante essa gente que assaltou o Brasil. Rato magro. Mas eu nunca bati no peito para dizer que eu sou o paladino da ética e o campeão olímpico da moralidade. Todo fariseu e farsante emprega culpa ao adversário como se fosse um biombo para esconder os seus defeitos. – O presidente escolheu o ministro José Dirceu como uma espécie de Jeany Mary Corner, o rufião do Planalto, para alugar prostitutas, algo que ele entendia poder fazer na Câmara dos Deputados. Tratou esta Casa como se fôssemos um prostíbulo”.

Em 07 de outubro de 2005, algumas semanas depois de se dizer traído e pedir desculpas em pronunciamento de televisão pelos erros cometidos pelo PT, Lula reuniu 67 dos 83 deputados do PT no Palácio do Planalto. Alguns acusados de envolvimento no escândalo do mensalão estavam presentes. Lula prestou solidariedade: – “Vocês não são corruptos. Vocês cometeram erros, mas não de corrupção. Todos vocês são construtores do PT”.

E, referindo-se diretamente aos parlamentares acusados: – “Vocês são companheiros que não têm nenhuma doença contagiosa, nada que impeça a nossa convivência”.

Em 15 de outubro de 2005, a revista Veja voltou a publicar uma reportagem sobre as atividades de lobista do irmão do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá. César Alvarez, assessor do presidente da República, recebeu, com intermediação de Vavá, o empresário português Emídio Mendes, um dos controladores do Riviera Group, que atua no setor imobiliário, turístico e energético. 

O irmão do presidente participou da audiência, no Palácio do Planalto. Oito dias depois, o empresário, mais uma vez acompanhado de Vavá, estava de volta ao Palácio do Planalto. Desta vez para ser recebido pelo chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. Por fim, e em decorrência dos encontros patrocinados anteriormente por Vavá, o empresário fez uma visita à sede da Petrobrás, empresa com a qual vinha tentando fechar negócios, no Rio de Janeiro. Acompanhou-o, mais uma vez, Vavá.

A reportagem de Marcelo Carneiro e Camila Pereira questiona o papel de Gilberto Carvalho, amigo e freqüentador dos churrascos patrocinados por Lula na Granja do Torto. Trecho do texto de Veja: “A pergunta óbvia é: Carvalho não comunicou ao presidente que seu irmão levava empresários para fazer negócios no Palácio do Planalto? E, se comunicou, por que o escritório de Vavá funcionou a pleno vapor até sua existência e finalidade terem sido reveladas por Veja? Solicitada a responder a essas perguntas na última sexta-feira, a assessoria da presidência limitou-se a dizer que tanto Carvalho quanto o presidente estavam ‘incomunicáveis’. Para quem, ao longo dos últimos escândalos, sempre se mostrou o último a saber, o termo não deixa de ser apropriado”.

Em 16 de outubro de 2005, Delúbio Soares comemorou o aniversário na fazenda Catonha, em Buriti Alegre (GO). O proprietário é o pai dele, Antônio Soares. Delúbio divertiu-se refrescando os amigos com água de um caminhão-pipa da Prefeitura. O prefeito, João Alfredo de Mello (PT), foi eleito com apoio do ex-tesoureiro. Apesar de formalmente afastado do comando do PT, Delúbio mantém a pose e os privilégios de dirigente do partido. Chegou a Buriti Alegre num automóvel Omega blindado, recém-adquirido, pelo qual pagou R$ 67 mil, à vista. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-tesoureiro informou ter patrimônio de R$ 168 mil.

Na fazenda em nome do pai, Delúbio faz a festa protegido o tempo todo por dois seguranças. O ex-tesoureiro concedeu entrevista ao repórter Expedito Filho, de O Estado de S. Paulo. Minimizou a importância do escândalo do mensalão: – “Nós seremos vitoriosos, não só na Justiça, mas no processo político. É só ter calma. Em três ou quatro anos, tudo será esclarecido e esquecido, e acabará virando piada de salão”.

Em 25 de outubro de 2005, depoimento à CPI dos Bingos. É de João Carlos da Rocha Mattos, juiz federal afastado e preso há dois anos sob a acusação de venda de sentenças. Ele prestou informações sobre o conteúdo de 42 fitas cassete que trazem escutas telefônicas gravadas supostamente de forma ilegal pela Polícia Federal, entre janeiro e março de 2002. As fitas reproduzem conversas entre integrantes do PT sobre as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT). Segundo Rocha Mattos, as gravações revelam o desencadeamento de uma “operação abafa” para inviabilizar as apurações a respeito do esquema de corrupção em Santo André. 

A coordenação teria sido feita por Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete do presidente Lula. Quando Daniel foi assassinado, Carvalho era o secretário de Governo da Prefeitura de Santo André. A acusação mais grave feita pelo juiz afastado é a de que “pessoas da favela Pantanal”, onde o prefeito teria sido mantido em cativeiro antes de ser morto, telefonaram a Carvalho e ao ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), também secretário de Daniel na época, o que envolveria ambos no seqüestro e no assassinato. Diz Rocha Mattos: –“Nas conversas havia a clara impressão de que Celso Daniel era um morto muito pouco querido. Não havia lamentos pela morte, apenas a preocupação em proteger os dirigentes do PT. E fica clara, nas conversas, a preocupação de todos com o que os irmãos do prefeito poderiam declarar”.

O juiz afastado menciona Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, que chegou a ser preso sob a acusação de mandar matar Daniel: – “Dá a impressão de que era Gilberto Carvalho que coordenava o esquema de arrecadação. Quando a situação começa a se complicar, o Sombra aparece nas gravações gritando: ‘Chama o Gilberto aí’”. Rocha Mattos menciona o chefe de segurança das campanhas eleitorais de Lula, o delegado de polícia Francisco Baltazar, que depois ocupou o cargo de superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Para Rocha Matos, Baltazar era contra a degravação das fitas: – “Está claro que havia uma preocupação de abafar as investigações a respeito do assassinato, porque fatalmente os casos de corrupção, de esquema no lixo e nos ônibus, seriam descobertos”.

Agora, o juiz preso menciona Ivone Santana, namorada de Daniel, e o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP): – “A Ivone era pressionada pelo Gilberto, pelo Klinger e pelo Greenhalgh, a se portar como uma viúva triste. Eles a cumprimentaram pelo desempenho que teve no programa da Hebe Camargo. Gilberto diz claramente: ‘Você fez o papel de viuvinha. Muito bom’. A preocupação do Greenhalgh era não deixar a investigação ir muito longe, porque era um problema para eles”.

Em 29 de outubro de 2005, a revista Veja denunciou um novo escândalo: o PT recebeu grande quantia em dólares, proveniente de Cuba. O dinheiro norte-americano chegou acondicionado em caixas de bebida. De acordo com o repórter Policarpo Junior, o comitê eleitoral de Lula recebeu, entre agosto e setembro de 2002, US$ 3 milhões. O dinheiro foi entregue pelo cubano Sérgio Cervantes, conselheiro político da embaixada de Cuba no Brasil, e depois levado para Campinas (SP) num avião Seneca em duas caixas de uísque e uma de rum cubano. 

Buscou o dinheiro Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci (PT-SP) em Ribeirão Preto (SP). Em Campinas, o dinheiro foi apanhado no aeroporto de Viracopos por Ralf Barquete, outro auxiliar de Palocci da época da Prefeitura de Ribeirão. De lá, foi levado num automóvel Omega blindado, conduzido pelo motorista Éder Eustáquio Macedo, para o comitê de Lula no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. Aos cuidados de Delúbio Soares. Veja obteve detalhes da história com o advogado Rogério Buratti, ex-secretário de Governo de Palocci em Ribeirão. O relato da revista:“Buratti não queria falar sobre o assunto, mas não se furtou a confirmar o que sabia. ‘Fui consultado por Ralf Barquete, a pedido do Palocci, sobre como fazer para trazer US$ 3 milhões de Cuba’, disse Buratti”. Barquete morreu em 2004, vítima de câncer.

A revista também entrevistou o economista Vladimir Poleto: “A conversa estendeu-se das 10 da noite até as 3 da madrugada. Poleto, apesar da longa duração do contato, ficou assustado a maior parte do tempo. ‘Essa história pode derrubar o governo’, disse ele mais de uma vez, sempre passando as mãos pela cabeça, em sinal de nervosismo e preocupação. No decorrer da entrevista, no entanto, Poleto confessou que ele mesmo transportou o dinheiro de Brasília a Campinas, voando como passageiro em um aparelho Seneca em que estavam apenas o piloto e ele. 

Fez questão de ressalvar que, na ocasião, não sabia que levava dinheiro. Achava que era bebida. ‘Eu peguei um avião de Brasília com destino a São Paulo com três caixas de bebida’, disse. ‘Depois do acontecimento, fiquei sabendo que tinha dinheiro dentro de uma das caixas’, completou, acrescentando: ‘Quem me disse isso foi o Ralf Barquete. O valor era US$ 1,4 milhão’”. Poleto contou que recebeu a orientação de embarcar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no avião emprestado por José Roberto Colnaghi, empresário amigo de Palocci. Em Brasília, foi levado numa van até o apartamento em que recebeu do cubano as três caixas de bebida, lacradas com fitas adesivas. A reportagem conta que ele deveria voar de volta para Congonhas, mas o mau tempo obrigou o piloto a descer em Viracopos.

Barquete chegou em Viracopos no Omega blindado dirigido por Éder Eustáquio Macedo, hoje funcionário do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro. O motorista pôs as caixas no porta-malas e levou-as a Delúbio. Ele confirmou à Veja ter feito o serviço, mas recusou-se a falar novamente com a revista. O Omega blindado pertencia à locadora de Roberto Carlos Kurzweil, empresário de Ribeirão. O comitê eleitoral do PT o alugara. O motorista Macedo era funcionário de Kurzweil e fora cedido ao PT. O repórter Policarpo Junior informa que o cubano Sérgio Cervantes, ligado diretamente a Fidel Castro, é um velho conhecido de Lula e do ex-ministro José Dirceu (PT-SP).

Dois dias depois, em 31 de outubro de 2005, deixou o Brasil o diplomata cubano Sérgio Cervantes, apontado como responsável pela entrega de dólares de Cuba para a campanha eleitoral de Lula, em 2002. Viajou sem dar quaisquer esclarecimentos sobre o caso.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) anunciou que vai apurar denúncias segundo as quais o grupo guerrilheiro FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) doou US$ 5 milhões para a campanha do PT em 2002. A revista Veja revelou uma investigação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em março de 2005, mas não se encontraram provas do repasse. Para Dias, o caso configura “atentado à soberania nacional” e não está encerrado: – “O governo fez uma operação abafa do caso. Fui procurado por pessoas da área militar que falam dessa conexão internacional”.

Em 07 de novembro de 2005, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Lula negou que tivesse havido o pagamento de mensalões no Congresso. “Tenho certeza que não teve essa barbaridade”, afirma ele. Por outro lado, explica assim o pronunciamento em que se disse traído por aqueles que usaram caixa 2 nas eleições, o que chamou de “loucura” e “práticas equivocadas”: – “O dinheiro fácil nunca fez bem para ninguém na história da humanidade. Você tem meios legais para fazer finanças de campanha. Não posso admitir que companheiros, em nome da facilidade, da presunção, começassem a terceirizar campanha financeira de um partido. Por isso que eu acho que fui traído por todos os que fizeram essa prática condenada pelo PT e pela sociedade brasileira”.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.




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